- 49%
Metade dos jovens de 18 a 29 anos usou inteligência artificial generativa nos três meses anteriores. Entre os com ensino superior, cerca de 86%.
- 46 pp
Mantido o resto igual, ter ensino superior soma cerca de 46 pontos percentuais à chance de usar a ferramenta. É o fator que mais separa quem usa de quem não usa.
- 6,8 mi
6,8 milhões de jovens ocupados estão em trabalhos de alta exposição à inteligência artificial, de 25,6 milhões — e são a parte mais escolarizada da juventude.
- ≈35%
A participação dos jovens nas admissões formais dos trabalhos expostos ficou estável entre 2022 e 2025. A entrada formal não se estreitou.
- 0 pp
Entre jovens de mesma escolaridade e renda, a cor da pele não separa, de forma mensurável, quem usa IA de quem não. A desigualdade racial no uso é estrutural.
Quatro fontes, três perguntas que o debate confunde.
A pesquisa combina quatro fontes — a PNAD Contínua e o Novo CAGED, a TIC Domicílios e os principais índices internacionais de exposição — para separar três coisas que o debate público costuma misturar: a exposição (quais trabalhos a inteligência artificial pode mudar), a adoção (quem de fato usa) e a porta de entrada (o que aconteceu com a entrada dos jovens no mercado formal entre 2022 e 2025).
A leitura é descritiva e associativa, não causal: descreve com quais características cada padrão anda junto, com transparência sobre os dados e a incerteza, e deixa a afirmação de causa para quando houver desenho que a sustente. O recorte é a juventude de 15 a 29 anos, com 18 a 29 nas análises do mercado formal.
No Brasil, a inteligência artificial não está fechando a porta de entrada do mercado formal para os jovens — a entrada permaneceu e o salário de quem entra subiu em termos reais. O risco é outro, e mais silencioso: a ferramenta está sendo aproveitada sobretudo por quem já tem mais estudo e renda.
A escolaridade atravessa os três capítulos: diz quem está nos trabalhos expostos, quem usa a ferramenta e quem alcança esses trabalhos. A pergunta de política pública se desloca do desemprego para a desigualdade — quem captura o ganho da inteligência artificial, e como impedir que ela alargue a distância que a juventude brasileira já carrega.
Pesquisa completa em PDF.
37 páginas, 6 figuras, apêndice metodológico reprodutível e referências.