Pesquisa nº 2 · Junho de 2026

Inteligência Artificial e Mercado de Trabalho

As juventudes brasileiras diante da inteligência artificial: exposição, uso e porta de entrada. Separa três coisas que o debate mistura — exposição, adoção e porta de entrada — e mostra que o risco brasileiro, por enquanto, é a desigualdade entre jovens, não o desemprego.

Capa de Inteligência Artificial e Mercado de Trabalho
01 — Os achados
  1. 49%

    Metade dos jovens de 18 a 29 anos usou inteligência artificial generativa nos três meses anteriores. Entre os com ensino superior, cerca de 86%.

  2. 46 pp

    Mantido o resto igual, ter ensino superior soma cerca de 46 pontos percentuais à chance de usar a ferramenta. É o fator que mais separa quem usa de quem não usa.

  3. 6,8 mi

    6,8 milhões de jovens ocupados estão em trabalhos de alta exposição à inteligência artificial, de 25,6 milhões — e são a parte mais escolarizada da juventude.

  4. ≈35%

    A participação dos jovens nas admissões formais dos trabalhos expostos ficou estável entre 2022 e 2025. A entrada formal não se estreitou.

  5. 0 pp

    Entre jovens de mesma escolaridade e renda, a cor da pele não separa, de forma mensurável, quem usa IA de quem não. A desigualdade racial no uso é estrutural.

02 — Sobre a pesquisa

Quatro fontes, três perguntas que o debate confunde.

A pesquisa combina quatro fontes — a PNAD Contínua e o Novo CAGED, a TIC Domicílios e os principais índices internacionais de exposição — para separar três coisas que o debate público costuma misturar: a exposição (quais trabalhos a inteligência artificial pode mudar), a adoção (quem de fato usa) e a porta de entrada (o que aconteceu com a entrada dos jovens no mercado formal entre 2022 e 2025).

A leitura é descritiva e associativa, não causal: descreve com quais características cada padrão anda junto, com transparência sobre os dados e a incerteza, e deixa a afirmação de causa para quando houver desenho que a sustente. O recorte é a juventude de 15 a 29 anos, com 18 a 29 nas análises do mercado formal.

3
Perguntas separadas — exposição, adoção, porta de entrada
4
Fontes — PNAD, Novo CAGED, TIC Domicílios e índices internacionais
2022–2025
Janela do Novo CAGED — mercado formal
49%
Jovens de 18 a 29 que usaram IA generativa — TIC 2025
03 — O argumento

No Brasil, a inteligência artificial não está fechando a porta de entrada do mercado formal para os jovens — a entrada permaneceu e o salário de quem entra subiu em termos reais. O risco é outro, e mais silencioso: a ferramenta está sendo aproveitada sobretudo por quem já tem mais estudo e renda.

A escolaridade atravessa os três capítulos: diz quem está nos trabalhos expostos, quem usa a ferramenta e quem alcança esses trabalhos. A pergunta de política pública se desloca do desemprego para a desigualdade — quem captura o ganho da inteligência artificial, e como impedir que ela alargue a distância que a juventude brasileira já carrega.

Pesquisa completa em PDF.

37 páginas, 6 figuras, apêndice metodológico reprodutível e referências.

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