Pesquisa nº 1 · Maio de 2026

Juventudes em Movimento

Três coortes brasileiras observadas entre 2021 e 2024, dos 17 aos 28 anos. A decomposição por raça, sexo, renda e região mostra quatro juventudes com trajetórias estruturalmente distintas.

Capa de Juventudes em Movimento
01 — Os achados
  1. 27 pp

    Aos 28 anos, a probabilidade de uma mulher negra estar sem trabalho e sem estudo é 3,5 vezes a do homem branco: 38% contra 11%.

  2. Aos 29 anos, último ano da juventude, a presença em ocupações de alta especialização é cerca de três vezes maior entre homens brancos (21% do grupo) que entre homens negros (7%).

  3. 1 em 4

    Um em cada quatro brasileiros chega aos 28 anos sem trabalho e sem estudo (23% da coorte). Não é fase de transição. É posição estrutural.

  4. 63%

    63% das pessoas sem trabalho e sem estudo aos 28 anos vivem nas duas faixas mais baixas de renda do domicílio — que reúnem metade da coorte.

  5. 21 pp

    A mulher negra é a juventude com maior variação regional: amplitude de 21 pontos percentuais entre Sul (27% sem trabalho/estudo aos 28) e Nordeste (48%). Para o homem branco, a amplitude é de 7 pontos.

02 — Sobre a pesquisa

Três coortes, doze idades, quatro anos.

A pesquisa reconstrói três coortes sintéticas a partir da PNAD Contínua trimestral do IBGE (2021–2024), organizadas como três movimentos consecutivos da janela jovem: Movimento I (17–20 anos, coorte 2003–2004), Movimento II (21–24, coorte 1999–2000) e Movimento III (25–28, coorte 1995–1996). Acrescenta uma foto adicional aos 29 anos, último ano da juventude pelo Estatuto da Juventude.

Cada coorte é descrita por seis condições mutuamente exclusivas (trabalho com carteira, trabalho sem carteira, estudo no superior, ensino fundamental/médio/EJA, e pessoas sem trabalho e sem estudo) e cruzada por raça, sexo, faixa de renda do domicílio e região.

3
Coortes sintéticas — 1995–96, 1999–2000, 2003–04
17–29
Idades observadas — Estatuto da Juventude
2021–2024
Janela PNAD-C trimestral, 16 ondas
4
Eixos de desigualdade — raça, sexo, renda, região
03 — O argumento

Há um debate antigo sobre se o termo "juventude", no singular, dá conta da diversidade interna da faixa. Os dados desta pesquisa sustentam a leitura plural: as posições com que cada grupo entra na janela jovem orientam as posições em que ele sai. As quatro juventudes brasileiras divergem ao longo do arco — não convergem para uma média.

O Brasil vive a última década do bônus demográfico. Política nacional única não alcança quatro trajetórias diferentes. A pesquisa é oferecida como insumo para o desenho das políticas públicas dirigidas às juventudes.

Pesquisa completa em PDF.

67 páginas, 19 figuras, anexo metodológico e referências.

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